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01

May

A Arte

mickey gay

A Arte não existe. A função da arte é portar o espelho da natureza, e simplesmente não existe um espelho que seja grande o bastante.

18

Apr

Terráqueos e os Relógios Digitais.

capa blue marble

Muito além dos confins inexplorados da região mais brega da Borda Ocidental desta Galáxia, há um pequeno sol amarelo e esquecido.

Girando em torno deste sol, a uma distância de cerca de 148 milhões de quilômetros, há um planetinha verde-azulado absolutamente insignificante, cujas formas de vida, descendentes de primatas, são tão extraordinariamente primitivas que ainda acham que relógios digitais são uma grande idéia.
Este planeta tem o seguinte problema: a maioria de seus habitantes estava quase sempre infeliz. Foram sugeridas muitas soluções para esse problema, mas a maior parte delas dizia respeito basicamente à movimentação de pequenos pedaços de papel colorido com números impressos, o que é curioso, já que no geral não eram os tais pedaços de papel colorido que se sentiam infelizes.
E assim o problema continuava sem solução. Muitas pessoas eram más, e a maioria delas era muito infeliz, mesmo as que tinham relógios digitais.


O Guia do Mochileiro das Galáxias

29

Feb

Meios de Transporte

O problema com a maioria das formas de transporte é que basicamente não valem a pena. Na Terra o problema é com os carros. As desvantagens envolvidas em arrancar montes de lodo preto viscoso do subsolo onde tinha estado escondido em segurança longe de todo mal, transformá-lo em piche para cobrir o chão, fumaça para infestar o ar e espalhar o resto pelo mar, tudo isso parece descompensar as vantagens aparentes de se poder chegar mais rápido a um outro lugar — especialmente quando o lugar a que se chega ficou, como resultado, muito parecido com o lugar de que se tinha saído, ou seja, coberto de piche, cheio de fumaça e sem peixe.

O Restaurante no Fim do Universo, Capítulo 22

11

Feb

Dinamite Pangaláctica!!

25

Jan

Lá Fora

Zarniwoop tirou algumas anotações do bolso.
— Agora — disse ele —, o senhor rege o Universo, não rege?
— Como posso saber? — disse o homem. Zarniwoop fez um sinal diante de uma anotação no papel.
— Há quanto tempo o senhor faz isso?
— Ah — disse o homem —, essa é uma pergunta sobre o passado, não?
Zarniwoop olhou para ele, confuso. Não era isso exatamente o que esperava.
— É — disse.
— Como posso saber — disse o homem —, se o passado não é uma ficção projetada para explicar a discrepância entre minhas sensações físicas imediatas e meu estado de espírito?
Zarniwoop cravou os olhos nele. O vapor começava a subir de suas roupas encharcadas.
— Então você responde todas as perguntas desse jeito? — perguntou.
O homem respondeu rápido.
— Digo o que me ocorre dizer quando acho que ouço as pessoas dizerem coisas. Mas eu não posso dizer.
Zaphod riu alegremente.
— Vou beber isso — disse, e pegou a garrafa de aguardente Janx. Levantou-se de um salto e ofereceu a garrafa ao homem que rege o Universo, que a pegou com prazer.
— Muito bem, grande regente — disse. — Conte as coisas como as coisas são!
— Não, escute-me — disse Zarniwoop —, vêm pessoas ver você, não? Em naves…
— Acho que sim — disse o homem. Entregou a garrafa a Trillian.
— E eles lhe pedem — disse Zarniwoop — para tomar decisões para eles? Sobre as vidas das pessoas, sobre os mundos, sobre economia, sobre guerras, sobre tudo o que se passa no Universo lá fora?
— Lá fora? — disse o homem. — Onde?
— Lá fora! — disse Zarniwoop apontando para a porta.
— Como você sabe que tem alguma coisa lá fora? — disse o homem educadamente. — A porta está fechada.

27

Dec

Neutrinos, Texugos e Kevin

texugo

Certo dia, um neutrino atingiu algo. Isso não é terrivelmente importante na escala das coisas, você diria. Mas o problema em dizer coisas desse tipo é que pode ter tanto sentido quanto uma cusparada de um texugo vesgo.

Quando algo acontece em algum lugar em uma coisa tão complicada como o Universo, Kevin sabe muito bem onde tudo isso vai parar — leia-se como “Kevin” qualquer entidade aleatória que não sabe nada de nada.

Praticamente Inofensiva, capítulo 3

24

Dec

O Susto de Zaphod

zaphod

-Vamos atirar em você

-É mesmo? - disse Zaphod sacudindo sua arma

-Sim - disse o robô e atiraram nele

Zaphod ficou tão surpreso que tiveram que atirar de novo antes que ele caísse.

A Vida, o Universo e Tudo Mais.

21

Nov

Douglas Adams, digital watches, and local max (by drruggeri)

11

Nov

Uma Fábula sobre os Sinais

sinais luan santana

Entre ambos, os Habitantes da Floresta olharam para o céu e viram o sinal da nova estrela. Olharam para ela com medo e apreensão porque, apesar de nunca terem visto nada assim, eles também sabiam exatamente que presságio aquilo trazia e curvaram suas cabeças em desespero.

Sabiam que, quando as chuvas vinham, era um sinal.

Quando as chuvas paravam, era um sinal.

Quando os ventos sopravam, era um sinal.

Quando os ventos se aquietavam, era um sinal.

Quando houvesse nascido na terra, à meia-noite em uma lua cheia, uma cabra com três cabeças, era um sinal.

Quando houvesse nascido na terra, em uma hora qualquer, um gato ou porco perfeitamente normal sem qualquer complicação, ou mesmo uma criança com um nariz empinado, muitas vezes essas coisas também eram vistas como um sinal.

Então não havia dúvida alguma de que uma nova estrela no céu era um sinal de enorme magnitude.

A Vida, o Universo e Tudo Mais, Epílogo.

08

Nov

A Vida, o Universo

e tudo Mais.

E, no final, mais uma vez eles viajaram.

Houve um tempo em que Arthur Dent não teria ido. Ele disse que o Propulsor Bistromático lhe revelara que tempo e distância eram um, que mente e Universo eram um, que percepção e realidade eram um e que, quanto mais se viaja, mais se permanece no mesmo lugar, e, sendo assim, dado isso e aquilo outro ele preferia ficar quieto durante algum tempo…

A vida, o Universo e Tudo Mais, epílogo.

31

Oct

A “Matéria Perdida”

telescópio espacial

Durante um bom período de tempo houve muita especulação e controvérsia sobre onde tinha ido parar a chamada “matéria perdida” do universo. Por toda a Galáxia, os departamentos de ciências das universidades mais conceituadas estavam adquirindo equipamentos cada vez mais elaborados para sondar e vasculhar o núcleo de galáxias distantes e, depois, o próprio núcleo e as margens de todo o universo. Quando finalmente chegaram a uma conclusão, descobriram que, na verdade, o que estavam procurando era exatamente o material que servia para embalar os tais equipamentos.

Praticamente Inofensiva, capítulo 17

28

Oct

Mundos

jr durán

Que vida era aquela que supostamente deveria levar? Que mundo era aquele do qual supostamente deveria fazer parte? E que universo era aquele que não parava de penetrar por seus olhos e ouvidos? Para que ele servia? O que queria?

Praticamente Inofensiva, capítulo 15

Foto: JR Durán, in Vogue http://www.jrduran.com.br/news/arquivo/2004_12.php

19

Oct

Arthur e Ford

ford prefect

Ford Prefect não era sócio do clube, mas tinha um método bem simples para lidar com lugares dos quais não era sócio. Simplesmente adentrava o local assim que a porta abria, apontava para Arthur e dizia: “Tudo bem, ele está comigo.”

Praticamente Inofensiva, capítulo 25

10

Oct

Aleatoriedades

macaco do espanto

Um buraco acabara de aparecer na Galáxia. Tinha exatamente um zerézimo de centímetro de largura e muitos milhões de anos-luz de comprimento. Quando se fechou, um monte de chapéus de papel e balõezinhos de borracha saíram dele e se espalharam pelo Universo. Um grupo de sete analistas de mercado de um metro e meio de altura também saiu do buraco e morreu logo em seguida, em parte por asfixia, em parte por espanto.

O Guia do Mochileiro das Galáxias, capítulo 9